O Desgaste da Preocupação

Ansiedade

Você está fora de casa e, de repente, bate aquela vontade descomunal de ir ao banheiro. Pense no som de algum riacho só pra alimentar a fantasia. Você entra apressado no recinto e não encontra nenhuma porta aberta. Todas com aquelas clássicas fechaduras circulares onde se lê “ocupado”. Que coisa, não? Todos precisavam vir ao mesmo tempo? Você aguarda um pouco, imaginando que alguém logo sairá. Só que não. Não sai ninguém. Por quanto tempo você aguentaria? Que demora! O que as pessoas estariam fazendo ali? Que tremenda falta de consideração!

Guardadas as devidas proporções, é assim que poderíamos simbolizar um sujeito excessivamente “pré-ocupado”. Vamos refletir um pouco sobre isso?

A preocupação pode ser compreendida como um conjunto de pensamentos de antecipação negativa sobre acontecimentos futuros. “Não estou apertado agora, mas deixe-me ocupar esta cabine aqui porque sei que essa vontade uma hora virá.” Assim poderia pensar um dos personagens da nossa comparação. Ciente da existência de um problema, ocupa-se anterior e exageradamente com todos os elementos que podem privá-lo de um resultado insatisfatório ou da completa frustração.

A preocupação seria, então, totalmente indesejável? É claro que não.

Pelo contrário, ela está relacionada à nossa capacidade de resolução de problemas. Ao nos preocuparmos com uma dada atividade, exercitamos a habilidade de antever nossos comportamentos e de validar os caminhos de que dispomos. Então, onde está o problema?

Tendo todas as cabines ocupadas, nosso personagem apertado ficou muito aflito. A que precisaria recorrer para aliviar-se? Pior, que raiva deve ter sentido ao saber que muitos dos ocupantes nem precisavam estar ali naquele momento. De forma análoga, poderíamos nos perguntar: como lidamos com as demandas presentes se o futuro nos rouba por completo? A busca de absoluto controle sobre as coisas pode até parecer uma estratégia eficaz, mas camufla uma infinidade de pensamentos negativos nutridos na insegurança, na ideia de que tudo vai dar errado. Em última instância, revela uma enorme intolerância à incerteza.

Lidar com as dúvidas sobre o futuro pode ser realmente complicado. Mas esta é uma condição de todo ser humano. Não se sinta o único a afligir-se com isso. Lembre-se: quanto mais pré-ocupados estivermos, menores são as chances de avaliarmos coerentemente o que se apresenta diante de nós agora. Não raro, nos precipitamos e só agravamos as situações.

Existe uma única maneira de lidar com o que há de vir? Não. Inúmeras vezes repetimos isso aqui: não há uma receita. Mas uma coisa é certa: todo pequeno aprendizado que você obtiver pelo caminho já é uma grande conquista.