Hulk: o grande Outro!

Hulk: o grande Outro!

Quando vou ao cinema pra ver os filmes da Marvel, a última coisa que eu tento é fazer leituras psicanalíticas da narrativa. Afinal de contas, o cérebro precisa de uma trégua de vez em quando né?

Mas esta cena não me deixou alternativas!

Lacan fala exaustivamente sobre um grande outro, escrito com letra maiúscula. Este Outro seria um campo que nos determina, um universo simbólico que vai dando contorno às nossas vivências. Diante dEle somos diminuídos. Por Ele somos assombrados.

Estranho? 🤯

Imaginemos o seguinte: ao longo da primeira década de vida – mas não só –, encontramos vários outros (com letra minúscula) que vão nomeando o mundo para nós. Desde nossos familiares, passando pela escola, até comunidades religiosas e culturais. Quanto maior a relevância desses outros para nós, mais valor de Lei têm essas designações, menos autorizados nos sentimos a dar, nós mesmos, qualquer sentido para as coisas.

“Se ele falou, tá falado!" Já escutou isso?

Pois bem, pense que a soma dos ditos desses pequenos outros vão tecendo uma grande colcha de retalhos. Essa composição é o que poderíamos entender como este Outro, o grande. Não é uma pessoa em específico, mas um conjunto de determinações simbólicas que nos orientam.

Em qualquer nova relação, virão conosco. Diante de qualquer pessoa, lá estarão essas ideias rígidas que herdamos.

Talvez não saibamos conceber uma amizade, um namoro, um trabalho ou qualquer outro tipo de vínculo fora do Outro. E é aí que podemos sofrer um bom bocado.

E onde entra o Hulk nesta história?

Nesta cena, o Hulk precisa da Jóia do Tempo, que está sob a proteção da Anciã. Ele chega todo marrento, claro, grandão, musculoso. Representa pra nós o Outro, grande e invasivo.

A Anciã não pensa duas vezes, golpeia o Hulk no peito, coloca o grandão para “dormir” enquanto segue a conversa com Bruce Banner, o outro, pequeno e semelhante.

Que lindo isso! 🤩

Um dos objetivos que se tem em análise é bem este: destronar este grande Outro assombroso. Construir novos sentidos, para além das determinações pré-estabelecidas.