O que é um sintoma?

Analogia Sintoma-Estrela

Imagine o sintoma psicanalítico como uma estrela no centro de um sistema solar. Essa estrela possui uma densidade imensa, uma força gravitacional poderosa que influencia tudo ao seu redor. Ela não está ali por acaso, foi formada por experiências primordiais, conflitos inconscientes que se cristalizaram em uma estrutura que organiza toda a existência psíquica do sujeito.

Ao redor dessa estrela-sintoma orbitam os planetas: suas vivências cotidianas, relacionamentos, escolhas profissionais, vínculos afetivos. Cada planeta segue uma trajetória determinada pela força gravitacional da estrela. Não são livres, suas órbitas são condicionadas por essa densidade central que chamamos sintoma.

O sintoma não é apenas um incômodo a ser eliminado. Ele é uma solução, ainda que precária, para um conflito fundamental. É a maneira singular como cada sujeito responde ao impossível da existência, ao que não pode ser simbolizado completamente. É estruturante, não acidental.

Agora imagine um cometa entrando nesse sistema solar. Ele vem de longe, com sua própria velocidade e direção. Mas ao entrar na área de influência da estrela-sintoma, algo inevitável acontece: sua rota é modificada. Ele se curva, desvia, acelera ou desacelera conforme a força gravitacional que atua sobre ele.

Esse cometa representa qualquer evento novo na vida do sujeito: um encontro amoroso, uma oportunidade de trabalho, uma perda, uma conquista. Por mais singular que seja o evento, ele será metabolizado, interpretado e vivenciado através da lente do sintoma. A estrela dá a cor, o tom, o sentido de tudo que atravessa a vida psíquica.

Por isso repetimos padrões. Por isso escolhemos parceiros semelhantes, reagimos de formas previsíveis a situações diferentes, tropeçamos nas mesmas pedras. Não por falta de inteligência, mas porque existe uma estrutura sintomática que organiza nossa experiência e determina as órbitas possíveis de nossos planetas-vivências.