Curling: uma aula sobre educação.

Curling

Não é de hoje que vejo este esporte chamado curling e fico refletindo sobre um milhão de coisas. Hoje, em particular, me vi tomado pela forma como ele me parece elucidar a experiência que tenho em educar minha filha de 3 anos e meio, a Maria Júlia.

Sua curiosidade e experimentação sempre foram muito marcantes, colocando à prova todo o mundo ao seu redor. E muitas destas suas vontades são, por vezes, incompatíveis com as possibilidades, seja por que colocam em risco a sua segurança, seja porque estamos atrasados para a escola e para o trabalho, ou porque todos os adultos disponíveis esgotaram as suas energias (rs).

Mas é justamente nesses pontos em que me pego refletindo sobre a natureza "vetorial" do desejo. Como nas aulas de física mecânica do colegial, quando várias forças atuam sobre um objeto e você precisa calcular a resultante. Lembra disso? Tínhamos lá as forças, seus vetores, intensidades... Pois o desejo me parece muito com isso.

E a castração, psicanaliticamente falando – ou a imposição de limites, a instauração da Lei, parafraseando –, me parece o processo de fazer frente a alguns vetores de forma que a resultante seja nula ou zero. Ou ainda, seria o ato de não só refrear um objeto, mas fazê-lo mover-se em sentido até contrário, orientado pela minha força, pelos meus vetores e desejos.

A parentalidade é atravessada por muitas questões e sua complexidade não se reduziria a modelos matemáticos colegiais. Mas acredito que podemos extrair algumas ideias daqui.

É interessante observar o esforço da dupla. Um coloca essa "pedra" grande em movimento, o outro se empenha em literalmente varrer o gelo para diminuir o atrito entre eles, agindo mais fortemente quando é preciso acelerar e mais vagarosamente quando é preciso frear. Me faz pensar que o processo de aprendizagem que eu presencio todos os dias pode ser algo assim: uma tentativa de jogar ao lado de um desejo que já está em curso, buscando ponderar os atritos, pra que a velocidade das coisas não nos atropele, mas me desvencilhando de perspectivas culturais que tentam nutrir uma tal educação que apaga a criança, que tem por objetivo uma suposta formação, no sentido de colocar em formas mesmo.

Esta é a minha experiência com a Majú.
Pra você, faz sentido?
Me conte, vamos pensar juntos!